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Epoca - 2021-05-31

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OS CAMINHOS PELA FRENTE

HORIZONTE

Por Eduardo Salgado

O futuro do Brasil e do mundo na visão de Eduardo Giannetti, Larry Diamond, Joaquim Levy, Niall Ferguson e Pedro Doria Uma das imagens que podem descrever o momento atual é a de uma encruzilhada. Isso vale para o mundo em geral, e o Brasil em particular. Não sabemos exatamente para que lado vamos. Se as vacinas contra a Covid-19 estarão disponíveis rapidamente nas escalas local e global necessárias, se a economia e os empregos vão retornar em velocidade, quais serão os efeitos duradouros da pandemia nas várias esferas da vida, incluindo a política, e como vamos combater o aquecimento global. Diante de tantas dúvidas, ÉPOCA organizou um especial com artigos e entrevistas, que ocupa as 20 páginas seguintes. Para escrever sobre os desafios do Brasil, a revista convidou Eduardo Giannetti, economista e cientista social formado pela Universidade de São Paulo com doutorado em economia pela Universidade de Cambridge. Autor de mais de 15 livros, professor e palestrante, ele acredita que a democracia brasileira corre perigo e exige uma resposta nas eleições de 2022. “Para além das premências imediatas — o combate à pandemia, à fome e ao desemprego — e para aquém dos projetos de mais amplo alcance e longo prazo — a construção simbólica e prática de um ideal compartilhado de nação ou sonho brasileiro —, acredito que a principal tarefa política da atualidade reside na reconstrução, em novas bases, da ampla e robusta união de forças oposicionistas forjada no combate ao regime militar de 1964 e que teve como desfecho a vitoriosa redemocratização do Brasil”, escreveu Giannetti. Larry Diamond, professor da Universidade Stanford e um dos cientistas políticos mais influentes do mundo, faz coro. Em entrevista, ele diz também crer na deterioração da democracia no Brasil. Mas, para Diamond, esse não é um problema localizado. Olhando para trás, descreve o fenômeno que batizou de “recessão democrática” mundial. Olhando para a frente, faz alguns avisos. “A longo prazo, o legado da pandemia que mais me preocupa é a implantação de mecanismos de vigilância e rastreio das populações, que, atualmente, são necessários para combater o vírus. Passada a pandemia, os governos terão enormes bases de dados sobre seus cidadãos, que deveriam ser destruídas, mas não dá para confiar que eles farão isso”, disse. Na área da economia, também há temores, mas existe um caminho com oportunidades ligadas ao meio ambiente. Esse é o argumento de Joaquim Levy, diretor de Estratégia Econômica no Banco Safra e ex-ministro da Fazenda. “Nos dois últimos anos, tenho estudado e conversado com muitas pessoas aqui e ao redor do mundo, e estou convencido de que é possível desenhar um plano de desenvolvimento para o Brasil aproveitando possibilidades na área verde de forma responsável e inclusiva”, escreveu. Niall Ferguson, historiador vinculado às universidades Stanford e Harvard, insiste na necessidade de aprendermos com a pandemia, apontando políticos responsáveis pelo caos sanitário, mas não só. Ferguson argumenta em favor de estudarmos como alguns países conseguiram controlar o número de infecções e mortes por Covid-19. “Em qualquer rede ampla, seja uma rede de computadores ou de relações sociais, se um problema emerge — digamos, um vírus ou uma notícia falsa —, é crucial deter sua propagação”, disse. Para Ferguson, essa lição é fundamental. Segundo ele, o próximo grande desastre pode ser um ataque hacker que derrube a internet em todo o mundo. Fechando o especial, Pedro Doria, autor de livros sobre tecnologia e colunista de O GLOBO, escreve a respeito da banda 5G, que promete revolucionar a maneira como nos comunicamos, trabalhamos e vivemos em nossas casas. “A rede 5G pode interligar até 100 bilhões de aparelhos. Bom lembrar: não chegamos a 8 bilhões de humanos no planeta.” Boa leitura.

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